O menino batata frita, esteticamente, era uma batata frita. Um palito, meio monocromático, saturado pelo processo que lhe dera o nome.
Internamente, por mais batata frita que fosse, reveleva um olhar terno, querido, poético, artístico e especial.
Todavia, a fritura trans entopia gradativamente suas idéias quanto a aceitação de se deixar consumir novas cores. Novas cores não faziam parte do repertório do chips.
Até que um dia, a mechinha performática driblou a rigidez do palitinho e lhe fez ingerir o lilás transmutação da berinjela. Foi então que o unicolor se coloriu pela primeira vez. Seus olhinhos antes amarelos fosco adquiriram um brilho diferente e ele passou a experimentar, lentamente, uma pitada de esperança brócolis, alegria cenoura, paz arroz, amor beterraba etc.
E assim, o menino batata frita não era mais o mesmo. Aos poucos a oleosidade que poluía sua fluidez líquida foi se dissolvendo e florindo tudo aquilo de mais sublime que só ele guardava mas que estava trancado no porão
O protótipo de pringles era sim uma verdadeira feira ecológica que aguçava ainda mais a vida de quem por ela se permitia entrar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário