segunda-feira, 18 de maio de 2009

O menino batata frita.






















O menino batata frita, esteticamente, era uma batata frita. Um palito, meio monocromático, saturado pelo processo que lhe dera o nome.
Internamente, por mais batata frita que fosse, reveleva um olhar terno, querido, poético, artístico e especial.

Todavia, a fritura trans entopia gradativamente suas idéias quanto a aceitação de se deixar consumir novas cores. Novas cores não faziam parte do repertório do chips.

Até que um dia, a mechinha performática driblou a rigidez do palitinho e lhe fez ingerir o lilás transmutação da berinjela. Foi então que o unicolor se coloriu pela primeira vez. Seus olhinhos antes amarelos fosco adquiriram um brilho diferente e ele passou a experimentar, lentamente, uma pitada de esperança brócolis, alegria cenoura, paz arroz, amor beterraba etc.

E assim, o menino batata frita não era mais o mesmo. Aos poucos a oleosidade que poluía sua fluidez líquida foi se dissolvendo e florindo tudo aquilo de mais sublime que só ele guardava mas que estava trancado no porão
O protótipo de pringles era sim uma verdadeira feira ecológica que aguçava ainda mais a vida de quem por ela se permitia entrar.

O óleo trans ficara para trás e a mechinha performática amou ainda mais aquele que já amava desde quando o avistara no Restaurante Universitário- e que pensava não poder ser objeto de ainda mais amor.

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